Especialista em saúde mental no trabalho, advogada Adriana Belintani aponta que negligência com riscos psicossociais já causa impactos jurídicos, afastamentos recordes e pressiona o ambiente corporativo (Foto: Unsplash.com)
São Paulo, maio de 2026 — Nesta terça-feira, 26 de maio, entra em vigor a atualização da Norma Regulamentadora Número 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho, que exigirá das empresas a tomada de decisões para reduzir os riscos psicossociais, aqueles que podem causar adoecimento mental dos profissionais. Fiscais do trabalho passarão a observar o comportamento das empresas em relação a questões como assédio, sobrecarga de trabalho, ambiente inadequado para exercer as funções e exigência de metas inalcançáveis, entre outros fatores que podem levar ao afastamento do trabalhador.
De acordo com levantamento do instituto Ipsos Brasil, a saúde mental tornou-se, em 2025, a principal preocupação dos brasileiros. O tema foi citado por 52% da população, um aumento expressivo em relação a 2018, quando apenas 18% indicavam essa questão como prioridade.
Os dados do trabalho formal reforçam o cenário de alerta. Em 2025, o Brasil registrou 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, o maior número já observado, de acordo com o INSS. Em 2024, haviam sido 440 mil licenças pelas mesmas causas, evidenciando uma escalada consistente do adoecimento psíquico relacionado ao trabalho.
Para a advogada trabalhista Adriana Belintani, especialista em saúde mental nas empresas pela USP, o aumento dos afastamentos revela uma mudança de percepção sobre o tema dentro das organizações. “Como advogada especialista em saúde mental corporativa acompanho de perto os impactos jurídicos e organizacionais dessa negligência. Saúde mental no trabalho não deve ser discurso motivacional, mas responsabilidade institucional”, afirma.
Segundo a especialista, o reconhecimento formal dos riscos psicossociais amplia o olhar sobre fatores como sobrecarga de trabalho, assédio, insegurança organizacional, pressão excessiva por resultados e culturas corporativas adoecedoras. Esses elementos estão diretamente relacionados ao aumento de afastamentos, passivos trabalhistas e queda de produtividade.
Nesse contexto, cresce o espaço para modelos de gestão que integrem saúde mental, governança e estratégia empresarial. O avanço dos afastamentos por transtornos mentais e a crescente preocupação da população com o tema indicam que o cuidado com o equilíbrio psicológico no ambiente de trabalho se tornou uma questão estrutural para o mundo dos negócios.
Compliance emocional ganha espaço nas empresas
A Mindcore Consultoria, fundada por Adriana Belintani, atua justamente nesse ponto de interseção entre direito do trabalho, saúde mental e gestão corporativa. Especializada em prevenção de riscos psicossociais, a empresa desenvolve programas de diagnóstico organizacional, análise de riscos, capacitação de lideranças e gestão de afastamentos. O objetivo é apoiar empresas na construção de ambientes psicologicamente seguros e juridicamente sustentáveis.
A proposta da consultoria parte de um conceito que vem ganhando espaço no mundo corporativo: o compliance emocional. A abordagem combina gestão preventiva de riscos psicossociais com estratégias de governança organizacional, permitindo reduzir passivos trabalhistas e fortalecer a cultura empresarial.
“As empresas estão começando a entender que saúde mental não é custo, é investimento. Cuidar das pessoas também é uma forma de cuidar dos resultados. A gestão preventiva dos riscos psicossociais é o caminho para negócios mais equilibrados e sustentáveis”, afirma Belintani.
Mudança cultural no ambiente corporativo
Além da consultoria estratégica, a Mindcore promove discussões sobre liderança humanizada, governança organizacional e construção de ambientes psicologicamente seguros, temas que ganham relevância diante das mudanças no mercado de trabalho e das novas exigências regulatórias relacionadas à gestão de riscos ocupacionais.
Segundo Belintani, o desafio das empresas não está apenas em lidar com crises de saúde mental já instaladas, mas em antecipar fatores de risco que frequentemente passam despercebidos na rotina corporativa.
“A Mindcore surge com um propósito claro: atuar de forma preventiva, técnica e estratégica nas empresas. Nosso trabalho é identificar riscos psicossociais antes que se transformem em crises organizacionais. Ao apoiar lideranças e fortalecer a governança interna, ajudamos empresas a compreender que prevenir é sempre mais inteligente do que remediar”, conclui.
Sobre Adriana Belintani
Advogada trabalhista e previdenciária com quase 30 anos de atuação, Adriana Belintani é especialista em Saúde Mental nas Empresas e Riscos Psicossociais pela Faculdade de Medicina da USP e em Direito Trabalhista e Previdenciário pela Escola Paulista de Direito. Fundadora da Mindcore Consultoria, atua nacionalmente oferecendo soluções jurídicas e estratégicas para empresas na gestão de riscos psicossociais e prevenção do adoecimento ocupacional.

